videochamada: se preparar antes faz a gente aproveitar melhor o durante

um tema recorrente em meu trabalho nos últimos meses é o tanto de energia que a gente gasta em chamadas de vídeo: geral se sentindo bem mais cansada do que se sentiria se as reuniões, encontros, apresentações fossem presenciais… tenho um palpite de que esse cansaço tem a ver com prestar atenção na reunião/nas pessoas mas também na gente mesma! nossa cara estampada no vídeo, junto com todo mundo, faz gente pensar na própria sobrancelha, no próprio cabelo, perceber uma coisa ou outra fora de lugar na casa/no cenário, e daí a atenção precisa voltar pro tema da conversa ou pra fala de alguém específico, mas péra meu decote tá desajeitado e agora to com sede e não dá pra levantar…. afffffmaria, deus ajude a gente a dar conta!

em encontros presenciais, a gente conta postura, linguagem corporal, tom de voz e pausas como linguagem — e faz isso sem nem perceber. quando o encontro é em vídeo, nossos sentidos trabalham muuuito extra pra decifrar esses outros código (que não ficam assim tãaaao claros no quadradinho do zoom, né?). isso cansa, e tira energia do propósito do encontro, e deixa a gente rendendo menos. talvez porque fazer a vida acontecer online não é só ligar o computador e tá tudo pronto: tem um preparo aí no antes (metáfora da vida adulta inteirinha) que pode aliviar, desembaraçar, simplificar e trazer paz de espírito no durante e no depois. ó o que eu e minhas clientes temos experimentado, vai que serve pra você também! ;-)

o que não aparece no computador

_material de trabalho
_material de consulta
_água/chá/hidratação
_maquiagem
_proteção

antes mesmo de trabalhar ou fazer live ou encontrar amigas ou de ajeitar qualquer outra atividade em vídeo, vale cuidar do que dá suporte. é bom ter o material de trabalho em volta, até material extra pro caso de precisar consultar (em lives, oriento minhas clientes a ter roteiro e livros que eventualmente indiquem ou citem em suas falas); bom também ter material pra anotar insights que a gente tem na hora (que sempre rolem esses insights em nome de jesuis amém!); água/chá/bebidinhas pra voz, que é instrumento de sopro e precisa estar hidratada pra fluir sem demandar esforço extra.

e né, um hidratante ou um óleo cheiroso pra cuidar dessas mãozinhas sambando no teclado, um primer ou uma base de bastão pra tirar um brilho do rosto/dar uma sensação de pele uniforme, um batom ou hidratante de lábio e umas apertadinhas na bochecha pra corar naturalmente (opa!). e alguma proteção que conforte a gente: sempre acho bom ter, entre o computador e o corpo, uns cristais ou um incenso ou um santinho ou um amuleto que dê suporte pr’além do mundo material ;-)

somos, nós mesmas, canais de comunicação

_nosso próprio look
_cores
_camadas e texturas
_acessórios
_cabelo
_maquiagem

aparência é linguagem potente, e a nossa própria imagem é a cara das nossas ideias — especialmente quando essa imagem é foco principal de atenção, como em videochamadas. então pensar em look pra estar no vídeo tem a ver, antes, com não tirar atenção dessas ideias! e minimizar ruído, simplificar (sem perder interessância) pra que a mensagem flua tão clara quanto for possível, pra que a gente construa oportunidade de conexão, de criar coisas maneiras junto de quem tá com a gente no vídeo.

partes de baixo ultra confortáveis ajudam a gente a estar sentada por longos períodos sem tanto incômodo: melhor malhas (que esticam) do que tecidos planos, melhor modelagens soltinhas do que peças super justas. calçados que envolvam o pé sem precisar ser pantufa: alpargatas? sandálias ajeitadinhas? mocassins confortáveis, sapatilhas molinhas? e ponto focal de todo look de videochamada: as partes de cima — que, em camadas, criam uma interessância extra, sem tanto esforço. só de sobrepor cardigan colete quimono capinha com qualquer camiseta, a gente já exercita coordenação de cores, de texturas, de linhas e formas e acrescenta uma profundidade ao look.

sobre cores, bom pensar nas do look em relação ao entorno, ao ‘cenário’ do encontro em vídeo: é bom que o que a gente usa seja sempre mais claro ou mais colorido que o fundo. isso vale em comparação, assim ó — cinza pode ser claro se comparado a marinho, mas pode ser escuro se comparado a bege, entende? e o acabamento vem com um mínimo de acessórios que a gente quiser salpicar em volta do rosto: todo mundo de olho em brincos, colares e anéis/pulseiras <3 que aparecem menos, mas aparecem (!) quando a gente fala com as mãos (bem-vindas ao brasil, rs).

e cabelo e maquiagem, né, que podem levantar look e dar cara nova aos mesmos moletonzinhos confortáveis de todo dia (fernanda entrou no grupo, hahahaha): prender de jeitos diferentes, usar acessórios tipo tiara e fivelas, ajeitar uma corzinha nos olhos ou nos lábios pode funcionar também como acessório. vale ter uns à mão, nesse aparato de materiais que dão suporte mesmo sem aparecer na tela do vídeo, pro caso de uma incrementada em cima da hora de ligar a câmera.

direção de arte em casa (espaços como cenarinhos)

_luz natural
_fundo, distâncias
_objetos, movimento
_cores e formas
_plantas, vida <3
_técnica: altura da câmera, lente limpa

melhor lugar pra videochamada é perto da luz natural: de frente pra janela ou de ladinho pra entrada da luz, pra que nossas carinhas lindas sejam a parte mais luminosa dessa tela — não é pra ficar de costas pro fluxo da luz que vem de fora, que assim a gente fica mais escura que tooodo o entorno e o olho de quem tá com a gente precisa fazer uma forçona pra catar nossos sinais de linguagem, esses que complementam a nossa fala. e, tanto quanto possível, vale dar uma distância do fundo e não grudar tanto na parede logo atrás da gente — essa profundidade dá um conforto no olhar, dá sensação de espaço e respiro.

aí, cuidar do fundo pode ser um arremate bem ajudador: se a gente trabalha com uma identidade visual que tem cores e formas já definidas, pode ser legal repetir essas cores e formas nos objetos, nos quadros, no que decora esse nosso fundo. legal também pensar em assimetrias, em movimento, em mais coisas de um lado do que de outro, em alturas alternadas… pra criar uma interessância complementar à do nosso look. vale cuidar também de ter plantas! já tamos tanto em ambiente fecahdo, já tamos taaaaanto interagindo entre telas lisas, sem textura, sem cheiro, flat de sentidos :| que ter um verdinho que balança com o vento, um volume, uma lembrança de natureza pode inspirar demais, nénão?

e aí, com o fundo ajeitadinho, é bom que a gente cuide da altura da câmera, do enquadramento da gente mesma nessa câmera: experimenta subir um tantinho o computador usando livros como apoio, tenta posicionar a câmera levemente de cima pra baixo, beeeeem levemente mesmo. e tenta alinhar o enquadramento com o teto e com as linhas retas desse cenarinho pra que elas estejam bem marcadas na vertical e na horizontal, sem câmera torta fazendo parecer que o vídeo dá labirintite. por fim, lembra que a nossa mão é sebosa e que é preciso limpar a lente da câmera do computador (pra que nossos vídeos não fiquem embaçados como os flahsbacks do didi nos trapalhões, hahahahah)

logo antes de começar, e começando

_fechar a aba do whatsapp web
_teste de áudio
_check in :)
_seguir o fluxo

é bom fazer testes de áudio de tempos em tempos com amigos ou com família, pra garantir que os fones não tem ruídos e que estão conectando direitinho; vale prestar atenção nas passadas de mão em cima das entradas de som do computador, cuidar antes pra que essa parte técnica não seja um problema pra lidar (enquanto a gente já tem que lidar com todo o resto ;-)

naquele último minuto antes de entrar é bom fechar a aba em que o whatsapp fica permanentemente aberto (eu sei, o meu também fica), pra evitar a loukurinha de bip que né, apita nos áudios de todo mundo da videochamada.

e se preparar pra começar todo encontro com um momento de check-in, com interesse genuíno em como as outras pessoas estão — pra que todo mundo consiga respirar, não se afobar nessa chegada, pra estabelecer uma energia de serenidade e de colaboração. acredito demais que a chegada pode influenciar tooooda a dinâmica das reuniões que a gente faz.

e então, relaxar. e fluir com o que a vida trouxer \o/

planejar ajuda demais! e se as coisas saem do controle com esse planejamento feito, não tem nada que desande ou desequilibre taaanto assim. vida continua acontecendo com barulhos e obras e gente passando na câmera e bbs e gatinhos e sol e movimento do bairro, tudo junto e misturado — e a gente continua (quem passa por pandemia, dá jeito em qualquer coisa!). se for o caso de precisar levantar ou resolver qualquer coisa, lembra de fechar a câmera e o áudio ;-) e vamo que vamo.

é uma possibilidade maravilhosíssima trabalhar, estar com os nossos, resolver a vida em videochamadas! e, ao memso tempo, uma oportunidade de experimentar um exercício de mão dupla enriquecedor demais: enquanto a gente não se cobra perfeição (em chamadas de vídeo e na vida), a gente também alarga nossa tolerância com a gente mesma e com tudo em volta, nénão?

seguimos: