institucional x social

tenho a sensação de que tamos confundindo propósitos e funções; e que por isso tamos usando a internet de um jeito pouco eficaz — e reclamando dessa mesma internet por conta dessa confusão.

entender a internet como uma grandessíssima festa (que, aqui no br, encheria 1.900 maracanãs de gente) ajuda a visualizar possibilidades de circular por ambientes diferentes, de estar com panelinhas diferentes, de puxar conversa sendo interessante/sedutora pra que gente legal queira estar por perto.

nessa festa tem ambiente mais estático, mais paradão (comunicação institucional) e ambiente mais frenético, mais rave todo mundo lokona (comunicação social).

nossos sites (ou apps próprios, ou perfis em linkedin e google meu negócio) são ambientes perfeitos pra organizar e disponibilizar o que é do nosso institucional — conteúdo “pesquisável”, “aprofundável”, pra ser degustado com tempo, espaço, profundidade. o que a gente escolhe contar das nossas histórias, nossas apresentações e apresentação de nossas atuações profissionais, o que a gente oferece de benefício e promessa, nossos cronogramas e nossos valores/crenças/visões de mundo: é esse o bom conteúdo institucional de um site que faça a venda pra gente, que funcione como a nossa lojinha/nosso escritório na internet.

pensando assim, nossas redes sociais são espaços bons de puxar conversa sem precisar aprofundar, compartilhar pedacinhos de rotina, cotidianidades e etapas de processos, flashes de nossos bastidores… conectando essas com outras ideias, salpicando palavras-chave pra reforçar identidade mas sem precisar aprofundar, sem precisar fazer textão nem forçar a barra propagandisticamente pra fazer venda nessa ambiente social.

“comunicação não vende, mas leva pra porta da loja”

mas né, uma coisa dá suporte pra outra: esse conteúdo social feito com ritmo e com frequência, vai construindo (postagem a postagem) uma identidade e uma cultura que podem ser confirmadas quando alguém bate nos nossos sites. isso sim é comunicação amarradinha!: linguagem visual consistente comunica profissionalismo, autoridade, confiança. e se a conversinha fiada (mas com potencial estratégico) que a gente puxa na rede social é interessante, sedutora, benéfica… então quem tá envolvida pode querer aprofundar por afinidade/identificação/escolha própria — tendo conteúdo institucional preparadinho num site pra receber esse interesse, a venda já tá encaminhada, né não? ouvi tempos atrás o executivo de marketing fernando machado (na ocasião, chefe global de marketing do burguer king) dizer que “comunicação não vende, mas leva pra porta da loja” e acho que o que ele quis dizer tinha bem a ver com essas ideias aqui.

((considero os destaques no instagram também um ambiente institucional possível, que pode dar suporte pra conversa puxada nos ambientes de feed e de stories — mas que não substitui um www próprio ;-))

tenho considerado esse pensamento um fundamento de todo trabalho de comunicação — não só na internet, mas de organização das nossas narrativas e apresentações pra que a gente rascunhe, revise, ensaie e tenha preparados -na ponta da língua- as narrativas que a vida pode demandar da gente em toda ocasião. pra que a gente mimetize menos a publicidade e exercite mais alguns dos nossos atributos humanos: prestar atenção nas outras pessoas (e não só disputar atenção), alternar entre pedir e entregar, explicar com simpatia, se conectar a partir de interessância.

parece que a gente bate na internet e deixa pra trás essas características que já fluem com a gente em tudo na vida offline, né? mas não precisa! e exercitar comunicação estruturada (desse jeitinho) pode ajudar a gente a reconquistar essa fluência ;-) eu acredito.

seguimos: